Salim Miguel casou-se com Eglê Malheiros em 1952, mas desde meados dos anos 1940 ambos compartilhavam ações e projetos literários e culturais.
Nesse período, ao lado dos demais integrantes do chamado “Grupo Sul” – incluindo Aníbal Nunes Pires, Ody Fraga e Antônio Paladino, entre muitos outros – contribuíram para dinamizar a vida cultural catarinense, com repercussões em âmbito nacional e em outros países.
O casal seguiu marcando presença nos mais diversos campos da arte e da cultura até o início da década de 2010.
Em 2013, o casal doou sua biblioteca ao Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). O acervo reúne cerca de dez mil livros e periódicos, além de documentos e objetos pessoais (máquina de escrever, medalhas, placas, certificados, fotos, entre outros).
Esse legado se encontra hoje reunido no “Espaço Eglê Malheiros e Salim Miguel”, vinculado ao Instituto de Documentação e Investigação em Ciências Humanas (IDCH). Inaugurado em 28 de novembro de 2013, ocupa uma casa histórica no centro de Florianópolis, à Rua Visconde de Ouro Preto, 457.
Atualmente, o prédio passa por reformas, com reabertura para o público em geral prevista para o segundo semestre de 2024. Assim, provisoriamente, o acervo está preservado no bairro da Trindade.
Pesquisadores podem solicitar autorização especial para realizar consultas, por meio de agendamento on-line prévio.
Para outros contatos, deve ser enviada mensagem por e-mail.
Nascida em 1928 na cidade de Tubarão-SC, Eglê Malheiros é professora, poeta, escritora e tradutora. Em 1947, passa a lecionar história no Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis. E no início da década de 1950 torna-se a primeira mulher a graduar-se pela Faculdade de Direito de Santa Catarina.
Como integrante do Grupo Sul, Eglê publica regularmente textos de poesia e prosa, além de artigos de crítica, na revista “Sul”. Em 1952, lança “Manhã”, livro reunindo poemas de cunho humanista, em prol da paz e da emancipação nacional.
Sua atuação de muitos anos junto ao Partido Comunista faz com que seja rotulada de “subversiva” pela ditadura militar, levando a um período na prisão, em 1964, e à proibição de que exerça o magistério. Quando libertada, muda-se com a família para o Rio de Janeiro.
Profunda conhecedora das línguas alemã, espanhola, francesa, inglesa e italiana, Eglê irá traduzir textos para enciclopédias (“Delta Larousse”, “Mirador”) e revistas (“Pais e Filhos”, “Tendência”), além de livros para as editoras Paz e Terra e Civilização Brasileira, incluindo, entre outros, “Knulp” (Herman Hesse) e “A mulher eunuco” (Germaine Greer).
Ainda no Rio de Janeiro, junto a Salim Miguel, Laura Sandroni, Cícero Sandroni e Fausto Cunha, completa o grupo responsável pela edição da revista de contos “Ficção” (1976 a 1979). Na mesma época, ocupa o cargo de diretora-secretária da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).
Ao retornar para Santa Catarina, exerce a função de chefe do Departamento de Educação e Saúde de Florianópolis (tempos depois transformado em Secretaria Municipal de Educação). Durante muitos anos, produz textos veiculados na imprensa catarinense, gaúcha e carioca.
Dentre as distinções que recebeu, destacam-se o “Prêmio Personalidade Cultural”, concedido pela União Brasileira de Escritores (1994) e a “Medalha de Mérito Cultural Cruz e Sousa”, conferida pelo Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina (1998).
Dados biográficos extraídos de texto de Luciana Rassier
Realizado pelas produtoras catarinenses Margot Filmes, Lilás Filmes e Calendula Filmes, foi lançado nas comemorações do aniversário de 95 anos de Eglê Malheiros, em julho de 2023. Está neste momento sendo apresentado no circuito de festivais e já se encontra licenciado pelo Canal CINEBRASiLTV, do Rio de Janeiro, onde deve estrear em julho de 2024.
Durante a produção do documentário, as artistas visuais Gabi Bresola e Leila Pessoa, da Ombu produção, desenvolveram o “Projeto Acervo Eglê”, digitalizando mais de três mil itens do arquivo pessoal da poetisa e autora catarinense. Todo o conjunto estará em breve à disposição de pesquisadores e do público em geral, no “Espaço Eglê Malheiros e Salim Miguel”.
O documentário nas redes sociais: @eglemalheiros e www.facebook.com/eglefilme
Trailer: Assista >
Desenvolvido a partir de uma abordagem biográfica, o documentário é narrado pelo próprio escritor e por amigos, colegas e familiares, cobrindo tópicos como o processo de criação literária, a trajetória no jornalismo, a infância e a adolescência enquanto imigrante libanês, as atividades pioneiras do “Grupo Sul” e os impactos gerados pela prisão durante a ditadura militar. Depoimentos de Salim gravados ao longo de oito anos enriquecem o filme.
Filme completo:
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Registra o trabalho do Círculo de Arte Moderna de Santa Catarina, importante movimento cultural do estado. Conhecido como “Grupo Sul”, entre 1947 e 1958, reuniu intelectuais e artistas como Aníbal Nunes Pires, Ody Fraga, Antonio Paladino, Hassis, Martinho de Haro, Aldo Nunes, Walmor Cardoso da Silva, Carlos Scliar, Archibaldo Cabral Neves, Meyer Filho, Oswaldo Goeldi e Tércio da Gama. Eglê e Salim tiveram presença ativa no coletivo, que publicou a revista “Sul”, editou livros, encenou peças teatrais, promoveu exposições de arte, criou um clube de cinema e realizou o primeiro longa-metragem catarinense, “O Preço da Ilusão”.
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FICHA TÉCNICA:
Pesquisa, redação e edição de textos e imagens: Antônio Carlos Miguel, Veet Vivarta (João José Miguel), Sônia Malheiros Miguel e Paulo Sérgio Miguel.
Criação de arte e webdesign: Ati Miguel / Cedar Ridge