Esta seleção foi realizada por Salim Miguel e se encontra distribuída em orelhas, introduções e/ou contracapas de seus diversos livros. Os trechos foram extraídos de resenhas publicadas em diferentes veículos da imprensa brasileira – e eventualmente de outros países – ou de correspondência pessoal.
Editora Sul, 1951 / Fundação Catarinense de Cultura, 1981 / Unisul, 2004
“‘Velhice e outros contos’ é um livro que acabo de ler num susto, tal o interesse que o seu conteúdo humano encerra. Escrito numa linguagem bastante viva, não parece obra de um estreante. Todos os contos têm uma expressão difícil de definir, pois são uma mistura de vida real e vida sonhada.” (Octávio Rodrigues de Campos, “Notícias de Évora”, Portugal)
“Nos três contos intitulados ‘Velhice’ – pesados e lentos – Salim Miguel conseguiu com rara felicidade o ambiente de angústia e mistério que acreditamos deliberadamente procurou imprimir nas histórias. A figura moça do narrador e as velhas cheirando a mofo estão bem definidas. Nota-se nesta série de contos uma certa influência de Poe, o que, aliás, não é defeito.” (R.B. Correa, “Semana Nacional”, São Paulo)
“Para escribir este libro, sobretodo los tres ‘Velhice’, se necesita ser un gran observador, se necesita psicología de ambiente y personajes, como también un maduro talento para captar hasta la fibra más íntima de las almas en juego.” (Matilde D’Espaux, Montevideo, Uruguai)
“…O autor espicha, ergue, lacera, joga no espaço a sua história, abandona-a; corta, interrompe e deixa-a suspensa no ar… ‘Velhice’ é um conto sugestivo, uma história que possui a ‘difícil naturalidade’. Narração bem urdida, belo sentido descritivo das cenas. Salim Miguel tem nos seus trabalhos uma propriedade rara hoje em dia: a de lograr prender a atenção do leitor, de familiarizá-lo com a leitura.” (José Roberto do Amaral Lapa, “Diário do Povo”, Campinas-SP)
“Salim Miguel desarrolló las temáticas de sus cuentos, ahondando en en estados psicológicos de sus personajes tomados de la realidad, pero desentrañados en su búsqueda y llevadas a un plano de irrealidad, a veces por su torturadas almas, o en la sombra de una rota conexión terrena… Así en todos y en cada uno de sus cuentos, flota una poesía de emoción y de tiempo, de cada uno de sus personajes que los absuelve y redime en una aureola de angustia e irrealidad.” (Nélida Aurora Oviedo, Helvecia, Argentina)
“A peça principal do livro é constituída pela trilogia ‘Velhice’. São três histórias concatenadas nas quais o autor coloca tudo o que tinha de melhor, a nata de seu talento. Ajudado por um estilo magnífico (o estilo, em Salim Miguel, é a sua principal qualidade), os temas se desenvolvem com facilidade, prendendo a atenção pelo interesse que despertam e não lhes faltando mesmo uma certa dose de ‘suspense’.” (Guido Wilmar Sassi, “Correio Lageano”, Lages-SC)
“Em ‘Velhice”, a forte impressão que nos deixa cada conto, e principalmente o que lhe dá título, não se extingue quando fechamos o livro. Tal é o poder descritivo que todos os personagens se identificam na realidade e o leitor propriamente não lê, mas ‘sente e vive’ aquilo que o autor escreveu.” (José Afrânio Moreira Duarte, Minas Gerais)
“Tal como víramos em ‘Velhice’, nota-se em Salim Miguel a preocupação de nos dar com grande profundidade aqueles sentimentos que geralmente classificamos de difíceis quando os não sabemos explicar. O poder de análise que existe em Salim Miguel permite-lhe focar fatos e situações como se penetrássemos realmente dentro dos seus personagens, que são estranhos e sinceros, esquisitos e normais, pois de qualquer modo gente como nós, pois Salim Miguel dá-lhes sempre aquela comunicabilidade humana que faz dos seus livros obras de interesse para o enriquecimento da nossa experiência cotidiana.” (Antonio José Saraiva, “Jornal Magazine”, Portugal)
“Seu estilo é correntio, servindo uma imaginação que não foge às realidades do seu meio e aos problemas do seu tempo. Salim Miguel não é um analista do ‘fato’ nem dele faz a sua intensa preocupação de escritor; mas a sua ficção tem o colorido da verossimilhança e os vivos raciocínios da observação.” (Othon D’Eça, “O Estado”, Florianópolis-SC)
“Dentro dum estilo audível, oral na maneira simples de narrar, e servindo-se duma naturalidade de diálogo em que interfere diretamente, estabelece o comando da expressão que liga diretamente o autor com o leitor num entrelaçar de figuras humanas e vivas. Psicologicamente, a concisão é interior e lógica, correntia. Mas, na realidade, o que está por detrás de todos os seus personagens e do autor é a interrelação com a vida cotidiana, com o mistério dos acontecimentos dentro da realidade, mostrando-se real e verdadeiro mesmo o imprevisível, como nesses três contos Velhice’, que acabam por dar o título ao livro. E que ficam, afinal, por exercerem no conjunto o impulso do imprevisível, do irreal no real, da incongruência no cotidiano.” (Augusto dos Santos Abranches, Nampula, Moçambique)
“Estamos ante uma fantástica imaginação criadora, a servir um bom ficcionista de cultura e poder descritivo destacáveis.” (Antônio Jacinto, Luanda, Angola)
Edições Sul, 1953
“‘Alguma gente’ é uma nova mensagem literária da província, cheia de humanidade, revelando ao mesmo tempo um autêntico escritor: Salim Miguel.” (Marques Rebelo, Rio de Janeiro)
“Vocação nítida que se nota logo pelo estilo impressionista e muito pessoal, Salim Miguel incorpora-se com ‘Alguma gente’ à geração nova dos nossos melhores contistas, sendo que a muitos excede pela propriedade da narrativa.” (Maria de Lourdes Teixeira, “Folha da Manhã”, São Paulo)
“Estamos ante uma fantástica imaginação criadora, a servir um bom ficcionista de cultura e poder descritivo destacáveis.” (Antônio Jacinto, Luanda, Angola)
Edições Sul, 1955
“Este valor essencial do romance ‘Rede’ deve ser destacado em primeiro plano, porque do conteúdo humano derivam ações, palavras, atitudes, posições e gestos dos personagens” (Clóvis Moura, “Notícias de Hoje”, São Paulo)
“Sua imaginação é rica e nada tem de linear; seus personagens se diferenciam humanamente entre si e não se confundem.” (Wilson Martins, “O Estado de São Paulo”, São Paulo)
Movimento, 1973
“Um texto como ‘Os nossos iguais’, para citar apenas um dos que valorizam a série (‘O primeiro gosto’), dá bem a medida de sua consciência literária e do sutil aproveitamento que consegue obter dos valores da linguagem. E isso me interessou muito”. (Carlos Drummond de Andrade)
“…‘O primeiro gosto’ coloca, de saída, um problema relevante no campo da teoria literária, que consiste em investigar onde está e em que consiste a significação de um texto poético. Em termos de reflexão crítica, teria validade a busca da literalidade, ou essa proposição, no momento em que se coloca, serviria apenas para mascarar e encobrir interrogações que não podem ou não devem ser feitas?” (Esdras do Nascimento, texto de apresentação, orelha do livro)
“Além do prazer lúdico de manejar as palavras há, em ‘O primeiro gosto’, um esforço bem sucedido de desvelamento da própria linguagem, na criação de uma obra literária de alto nível.” (Esdras do Nascimento, texto de apresentação, orelha do livro)
“A obsessão de tempo, quer como implacável triturador de instantes que a emoção não sabe nem pode repetir, quer ainda em várias outras facetas, constitui a viga mestra ou o alinhavo identificador da unidade psicológica dessas histórias.” (Almiro Caldeira, Florianópolis-SC)
“Salim Miguel, um observador atento e solidário, também extrai seus contos do real. O cotidiano é a fonte que alimenta o seu conto. Neste seu novo livro há o escritor que se lembra e o escritor que se entrega a um jogo conceitual que marcou toda a boa ficção de Machado de Assis – de quem, aliás, o ficcionista catarinense guarda certas ressonâncias de tom e de frase.” (Hélio Pólvora, “Jornal do Brasil”, Rio de Janeiro)
“Desde su primer libro, ‘Velhice e outros contos’, pasando por ‘Alguma gente’ y ‘Rede’, densa novela que enfoca con valentía y felices aciertos el drama del pescador catarinense, Salim Miguel ha dado sobradas pruebas de una envidiable vocación de narrador. Esa impresión dejada por sus libros anteriores, vese corroborada por ‘O primeiro gosto’. Los cuentos en él reunidos no son meramente contados, sino que su lenguaje es cinematográfico, escueto, desprovisto de exuberancias.” (Antonio Simões Jr., “Revista Suburbio”, Buenos Aires, Argentina)
Antares/MEC, 1979
“Um texto como ‘Os nossos iguais’, para citar apenas um dos que valorizam a série (‘O primeiro gosto’), dá bem a medida de sua consciência literária e do sutil aproveitamento que consegue obter dos valores da linguagem. E isso me interessou muito”. (Carlos Drummond de Andrade)
“Há muito que um volume de contos (‘A morte do tenente e outras mortes’) não exercia sobre mim tão forte impressão. Tudo no livro é pessoal, inconfundível, de uma densidade extraordinária. Todos os contos, sem exceção, são significativos e criam, juntos, um mundo peculiar, fechado, consistente.” (Paulo Rónai, Rio de Janeiro-RJ)
“A narrativa é sempre segura e prende pelos detalhes significativos, pelo controle que o narrador tem sobre os fatos, personagens e ambientes.” (Elias José, Guaxupé-MG)
“Em verdade, Salim Miguel é um dos mais interessantes exemplos de consciência criadora, utilizada diretamente na mesma maneira pela qual compõe ele sua obra. Exemplo admirável e respeitável, que, como disse, só grande artista pode dar.” (Antonio Hohlfeldt, Porto Alegre-RS)
“A morte, presente no título, encarrega-se de aniquilar os que se julgam indispensáveis ao funcionamento da engrenagem social, como o tenente do primeiro conto. Já que a morte não poupa ninguém, as outras mortes apresentam-se como variações desta, iguais nas consequências. O que resta? Resta o viver humano que passa e nisso a vida das ‘Queridas velhinhas’, alheias aos ruidosos acontecimentos coletivos, impõe-se exemplar.” (Donaldo Schüller, Porto Alegre-RS)
“Este, em mais de um sentido é um conto à parte dentro do volume, com seu intenso erotismo e um tratamento da linguagem literária que marca um dos pontos mais altos da obra de Salim Miguel e do conto brasileiro atual. O menos que se pode dizer de ‘A aranha’ é que ele nasce antológico. Demonstra, igualmente, como ‘O gramofone’, ‘Outubro’, ‘1930’e ‘Amanhã’, a grande maleabilidade de seu instrumento literário, que se ajusta ao ritmo e à consciência da matéria a ser trabalhada.” (Fausto Cunha, no prefácio do livro)
“Pois Biguaçu é o condado faulkneriano de Salim Miguel, embora Biguaçu exista – nem fica muito longe de Florianópolis.” (Fausto Cunha, no prefácio do livro)
Global, 1984 / Record, 2007
“Salim Miguel, contista competente e respeitado, não é de hoje, nos confirma a sua total seriedade de escritor neste romance (‘A voz submersa’) em que a linguagem é fortemente trabalhada num estilo por vezes nervoso, sincopado, sufocante, sobretudo quando se trata de trazer até nós a alma cambiante da protagonista.” (Aloísio G. Branco, “O Globo”, Rio de Janeiro)
“Com a habitual segurança e maturidade literárias, já provadas nos contos de sua fase mais recente, Salim Miguel constrói um romance (‘A voz submersa’) denso e forte, no qual a linguagem flui viva e precisa, envolvendo e instigando a inteligência do leitor na labiríntica trajetória psicológica e existencial de suas criaturas.” (Silveira de Souza, “Revista Colóquio/Letras” nº 44, Lisboa, Portugal)
“Um dos pontos altos deste livro é sua linguagem literária, ora caracterizada por imagens rápidas, desconcertantes, que se hipnóticas, feito um caleidoscópio, de forma direta, contundente. O efeito é poderoso: a narrativa fica impregnada de vida, de elementos sensoriais.” (Valdomiro Santana, “O Estado”, Florianópolis-SC)
“‘A voz submersa’ é um romance de muitas vozes (algumas irônicas) e de muitas técnicas no processo de construção. A sua complexidade, porém, não obscurece. Nada nele é conclusivo, mas tudo nele é inteligente.” (Mário Pontes, “Jornal do Brasil”, Rio de Janeiro)
“‘A voz submersa’ é, reiteramos, uma obra de trama moderna, sem concessões a qualquer escolástica, fiel a si mesma, ao seu conteúdo estético e humano, servida por um realismo lírico.” (Antônio Simões Jr., “O Estado”, Florianópolis-SC)
“Em ‘A voz submersa’, recém lançado romance, Salim Miguel aprimora a técnica alquimia de fundir num único tempo os tempos que marcam a sensibilidade dos personagens.” (Almiro Caldeira, “O Estado”, Florianópolis-SC)
“Romance de técnica apurada, essa obra reafirma as qualidades de um escritor que trabalha seu material com o rigor de um artesão.” (Ubiratan Machado, “Correio das Artes”, João Pessoa-PB)
“Salim Miguel não escreveu um retrato sob medida para nós. Mais do que isso, propõe uma galeria de espelhos. Em cada fragmento que cintila e filtra o corpo de Dulce, lampejos de nossa condição humana.” (Mário Henrique, “Última Hora”, Brasília-DF)
“Salim Miguel usa (em ‘A voz submersa’) metáforas poéticas, relações entre cores, ruídos, sensações, flashes de roteirista, uma visão caótica e moderna do Rio que, depois se transpõe para Florianópolis. É um reflexo de um mundo em caos que merece uma leitura atenta.” (Flávio de Aquino, Rio de Janeiro-RJ)
“Mas, curiosamente, é esta mesma ‘vida pequena’ que constitui um dos pontos altos do romance (‘A voz submersa’): a mineração da sensibilidade, o amesquinhamento e até a petrificação das relações humanas, a tragicidade do estar-não-estando no mundo conferem ao romance de Salim Miguel um indiscutível grau de densidade.” (Edda Arzua Ferreira, Florianópolis-SC)
“Realiza-se Salim Miguel aqui (‘A voz submersa’) amplamente, apresentando os elementos essenciais – a excelência do estilo, o grande domínio da técnica, perfeita identificação com o tema abordado – para que a história tenha a sua melhor ressonância.” (Renard Perez, “Suplemento Literário de Minas Gerais” nº 981, Belo Horizonte-MG)
Editora da UFSC, 1986
“Seu livro (‘O castelo de Frankenstein’) é substancioso, variado, informativo, baseado em julgamento equilibrado e na capacidade de distinguir o essencial. Tudo isso e mais o estilo claro e comunicativo fazem dele obra de real utilidade.” (Paulo Rónai, Rio de Janeiro-RJ)
“A qualidade de suas análises… serve para lembrar que escritor é quem sabe ler e que a criação literária é um diálogo com a obra de algum outro autor.” (Claudio Willer, São Paulo-SP)
“Uma valiosa fonte de pesquisa, principalmente para professores e estudantes de letras.” (Carlos Menezes, Rio de Janeiro-RJ)
“Como o leitor pôde observar, nesse breve passeio por este ‘castelo’ contido entre as duas capas, não há nenhum monstro das teorizações inúteis, das classificações pedantes e das citações cansativas em seus apontamentos. O que se descobre é um lado humano, insuspeitado, de escritores e de seus personagens.” (Pedro J. Bondaczuk, Campinas-SP)
“Posso dizer que ‘O Castelo de Frankenstein – vol. 1’ deve ser de leitura obrigatória.” (Holdemar Menezes, Florianópolis-SC)
“O autor centra seu julgamento (em ‘O Castelo de Frankenstein’) em elementos de literariedade indiscutível, apoiado em sua experiência e vivência de escritor, em sua sensibilidade e cultura.” (Almeida Fischer, Brasília-DF)
“E assim deslancha pelas páginas de ‘O Castelo de Frankenstein’ o discurso sedutor e cativante de Salim Miguel, explicando aspectos ainda ignorados ou ainda não devidamente compreendidos da obra de escritores como Guido Wilmar Sassi, Ricardo Hoffman… Nas suas anotações sobre livros e autores, enfeixados em ‘O castelo de Frankenstein’, aparece, de forma indiscutível, a face do analista literário colocada acima de qualquer suspeição.” (Dimas Macedo, Fortaleza-CE)
“Informações objetivas, clareza de análise, capacidade de ler e ver o que há de essencial numa obra literária. Com essas ferramentas, assim trabalha o crítico Salim Miguel. Nada de terminologias enganosamente complexas, nem a exibição de métodos importados… A leitura, para Salim Miguel, é sempre motivo de indagação existencial, ponto de partida para a reflexão crítica sobre o ato de viver e o ato de escrever.” (Valdomiro Santana, Salvador-BA)
“Por este motivo as críticas de ‘O castelo de Frankenstein’ passam a fazer parte da melhor crítica brasileira contemporânea” (Hélio Pólvora, Salvador-BA)
“‘O castelo de Frankenstein é um bom exemplo de crítica literária que tem rigor e fascínio de leitura” (Iaponan Soares, Florianópolis-SC)
“O livro é uma preciosidade para os que não só gostam de ler, mas que também procuram completar suas experiências com o conhecimento de algumas informações sobre o que acabaram de ler.” (Sérgio Braga, Belo Horizonte-MG)
Editora da UFSC, 1990
“Não faltam a Salim Miguel as competências específicas para escrever suas críticas. Conhece como poucos a literatura brasileira. Os melhores momentos deste livro (‘O castelo de Frankenstein- vol. 2’) são muitos, mas quero destacar aos leitores um ensaio sobre Mário de Andrade.” (Deonísio da Silva).
“Já se disse que a crítica é fácil e a arte difícil, mas me parece que a boa crítica só é possível para quem domina a arte. Eis a razão por que você, um artista das letras, sabe ser também um bom crítico da obra literária, a qual sempre ante a sua sensibilidade exsurge renovada em seus aspectos e cambiantes interpretativos… Sob a mesma ótica larga e luminosa, visito alas e bastiões remotos e próximos, soturnos e claros, todos apinhados de gente americana e de diversos continentes e épocas.” (Almiro Caldeira, Porto Alegre-RS)
Fundação Catarinense de Cultura/Movimento, 1994
“‘As várias faces’ me deixaram funda impressão: sob a aparência de uma modernidade formal, Salim Miguel capta e recapta o diabólico que foi o ano de 1964 e os subsequentes.” (Antonio Houaiss, Rio de Janeiro)
José Olympio Editora, 1994
“…‘Primeiro de Abril: Narrativas da cadeia’, de Salim Miguel, refere-se a 1964, quando ele, intelectual já conhecido, redator da Agência Nacional , passou cinquenta dias numa prisão em Florianópolis. Seu relato não denuncia arbitrariedades inéditas, nem torturas como as que ocorreram em outros lugares. É o depoimento de um escritor, de um homem sensível, que sabe valorizar o detalhe e recolher, dentre os variadíssimos tipos humanos que o cercam, o traço mais significativo; de um ficcionista atropelado por uma realidade dolorosamente imprevista, mas que não perde o sentido do pitoresco, do humor, mesmo quando descreve a destruição da livraria que foi sua, a queima absurda de livros em pleno centro da capital catarinense.” (Moacir Werneck de Castro, Rio de Janeiro-RJ)
“Habilmente construído, com capítulos que podem funcionar como módulos autônomos, o livro de Salim Miguel (‘Primeiro de Abril: Narrativas da cadeia’) se acrescenta a sua bibliografia de muitos títulos como uma nova e marcante contribuição à história do golpe de 1964 e seus ecos pelo país afora.” (Moacir Werneck de Castro, Rio de Janeiro-RJ)
Rio Fundo Editora, 1995
“… Um bom exemplo da inventiva ficção de Salim Miguel é esta coletânea de narrativas curtas, ‘As desquitadas de Florianópolis’, onde casos da fronteira, conversas de botequim, conflitos existenciais, se misturam com histórias do passado histórico que marcaram a região.” (Assis Brasil, texto de apresentação, orelha do livro)
Editora Insular, 1997
“A arte do conto em Salim Miguel é feita desta inteligência da meia palavra, do jogo, da aparência, tudo destinado a chegar até a essência, ao miolo, ao que somos efetivamente: a terceira imagem.” (Antônio Hohlfeldt, jornal “Ô Catarina!”, Florianópolis-SC)
Letras Contemporâneas, 1998
“… O Salim Miguel de ‘A vida breve de Sezefredo das Neves, poeta’ ou de ‘A morte do tenente e outras mortes’ está muito presente, com o universo que é típico dele, com o vocabulário, os assuntos, o ritmo, mas agora às voltas com três personagens que são quase beckettianos: o gordo, o magro, a mulher. Não têm nome, mas são vivíssimos, em volta de uma situação, como diz Caetano Veloso, onde ‘paira a sombra do ciúme’.” (Fábio Brüggemann, Florianópolis-SC)
Letras Contemporâneas, 2003
“…As releituras, além de serem uma outra visão sobre estes estrangeiros, revelam também a formação literária de Salim Miguel, um dos prosadores mais instigantes e importantes do país.” (Fábio Brüggemann, Florianópolis-SC)
Record, 2004
“Em ‘Mare nostrum’, o mar é o território daquilo que passa e fica. É reta de chegada, fim e começo, suspensão do ontem e do hoje.” (Miguel Sanches Neto, “Carta Capital”, São Paulo)
“A inspiração autobiográfica é evidente em ‘Mare nostrum’. O autor chega ao universal pelo caminho indicado por Tolstói, ou seja, cantando a sua bela aldeia.” (José Geraldo Couto, “Folha de S. Paulo”, São Paulo)
“Miguel, que em 2002 ganhou o Troféu Juca Pato de intelectual do ano, é antes de tudo um grande contador de histórias, como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro ou Moacyr Scliar, escritores que, a despeito das diferenças que os separam, nunca deixam que o empenho formal se sobreponha à fluência narrativa e ao destino dos personagens.” (José Geraldo Couto, “Folha de S. Paulo”, São Paulo)
Global Editora, 2009
“Salim Miguel possui um estilo muito próprio de contar: busca uma aproximação, tanto na estrutura quanto na linguagem, ao processo de funcionamento da memória, ou, ao menos, ao modo como o entendemos hoje. Lentas divagações seguidas de rupturas na cadeia dos acontecimentos, o que joga o leitor para dentro do universo caótico da personagem; livre associação de ideias, que permite a visualização dos transtornos mentais e da ambiguidade de seus protagonistas; mots valises, diminutivos, alguma rima e ritmo para conduzir com mais facilidade o leitor por entre os labirintos textuais que se vão erguendo. São recursos utilizados pelo autor para dar a consciência que suas narrativas requerem, onde o drama humano se mistura às perscrutações da escrita.” (Regina Dalcastagnè, Brasília-DF)
“Podendo ser considerado um dos mais significativos contistas brasileiros contemporâneos, Salim Miguel assim se coloca em nossa literatura, justamente por trazer-lhe contribuição muito própria, muito específica e capaz de nos iluminar na compreensão maior do ser humano.” (Antonio Hohlfeldt, Porto Alegre-RS)
“A leitura, para Salim Miguel, é sempre motivo de indagação existencial, ponto de partida para a reflexão crítica sobre o ato de viver e o ato de escrever.” (Valdomiro Santana, Salvador-BA)
“Salim é mestre no idioma, e dele se serve com eficiência, concisão e força, muitas vezes recuperando recursos esquecidos do arsenal linguístico. Sua frase é singela – sem ser simplória – e jamais é obstáculo para o leitor: é frase que se lê sem tropeços, uma benção em tempos de invencionices estéreis e aborrecidas.” (Luiz Antonio de Assis Brasil, Porto Alegre-RS)
“Em resumo, Salim Miguel, nômade, anda o tempo todo à procura de raízes. E estas encerram tanto os arquétipos da psicologia humana – a vida, a morte, o tempo – quanto os signos da visão humanista da vida: liberdade, fraternidade e justiça social.” (Fábio Lucas, Belo Horizonte-MG)
“A memória é em Salim Miguel, sobretudo nos contos, o seu fio de Ariadne com que entra no Labirinto ao encontro do Minotauro. Ele quer encontrar o Minotauro, precisa defrontar o monstro. Vai com a resignação obstinada dos que sabem que o touro existe e certamente sacrificará o intruso. Mas vão. Erram, se desencontram e desencantam, e eis que, de repente, ao entrarem num anfiteatro, dão com ele, o touro, e há que enfrentá-lo, como dizia o poeta Lorca: ‘Al toro tengo que ir, aunque vaya de prestado.’ Sim, tenha-se ou não indumentária de toureador.” (Hélio Pólvora, Salvador-BA)
“Há muito o que admirar na literatura de Salim, mas admiro nela, mais que tudo, a sua versatilidade, sinal de sua inquietude, do seu inconformismo, da sua constante juventude e do seu sempre renovado encantamento diante da vida” (Mário Pontes, Rio de Janeiro-RJ)
“Salim Miguel procura, do conto ao romance, uma revolução formal e conceitual. Avesso a qualquer dogma ou verdades definitivas, deu maturidade a sua ficção. Possui um refinado sistema de símbolos que busca dar corpo às estruturas sociais, políticas, econômicas e morais de sua época.” (Carlos Jorge Appel, Porto Alegre-RS)
“O ficcionista situa e denomina seu mundo. Biguaçu pode não existir nos atlas convencionais, mas existe e se impõe no mapa literário.” (Edilberto Coutinho, Rio de Janeiro-RJ)
“Exercício de memória, exercício de escritura, a reconstituição de experiências vividas não se dissocia do ato de pôr em questão de modo permanente uma suposta versão definitiva. Na vida, como na literatura, a realidade permaneceria em parte uma interrogação, constrangidos que seríamos a reescrever constantemente nossa versão das coisas sobre as páginas do verossímil.” (Luciana Rassier, Florianópolis-SC)
Os originais com a íntegra das resenhas estão arquivados no “Espaço Eglê Malheiros e Salim Miguel” e disponíveis para consulta: https://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/salim.html
As cerca de mil cartas recebidas por Salim Miguel, entre os anos 1940 e 2010, ainda aguardam estudo, para posterior disponibilização ao público.
FICHA TÉCNICA:
Pesquisa, redação e edição de textos e imagens: Antônio Carlos Miguel, Veet Vivarta (João José Miguel), Sônia Malheiros Miguel e Paulo Sérgio Miguel.
Criação de arte e webdesign: Ati Miguel / Cedar Ridge