“Querida Adriane, depois de algum tempo comigo, eis que assisto agora Eglê. Quero aproveitar o calor da emoção e o entusiasmo da consciência para dizer algumas palavras. Por conhecer a Eglê e ter convivido um pouco com ela e com o Salim, por óbvio que o filme me tocou. Sua história é de uma magnitude imensa e não basta dizer que Eglê é uma mulher a frente de seu tempo. Sua compreensão da realidade brasileira e seu posicionamento corajoso e sensível diante dela, mostra o quanto essa mulher foi/é – sobretudo, de uma humanidade extrema. Radicalmente antenada na vida, a defendeu/defende com unhas, dentes, consciência crítica e muito amor. Talvez a maior beleza do filme esteja justamente aí, o de mostrar a mulher Eglê e a sua genuína humanidade. Eu agradeço imensamente a você Adriane e a toda equipe por nos possibilitar o resgate dessa pungente e tocante história. Vivemos tempos corridos, onde o descarte é rotina, e a vida parece ganhar contornos de máquina. Num só toque no celular visitamos o mundo, mas sem nenhum toque humano também nos isolamos totalmente dele. A Eglê e sua história/memória nos ajudam a olhar com mais cuidado para o sentido da vida. O filme 🎥 é a projeção de uma perspectiva que nos aponta saídas ainda não vividas, experimentadas. O tempo da Eglê e de tantas outras e outros que já passaram, demonstra que a luta por uma sociedade melhor não pode estar desgarrada da solidariedade, do companheirismo, da cumplicidade, do prazer da vida. Da alegria e da possibilidade de uma mudança, cuja necessidade é quase sempre permanente. Ao assistir ao filme um misto de tristeza e alegria me apoderou, por lembrar das muitas e muitos que partiram e das pessoas que permanecem feito sentinelas almejando e lutando por uma sociedade mais justa e humana. Enfim, foi muito bom assistir Eglê, contar com o esforço e dedicação de vocês que fizeram o filme acontecer. Muito obrigado!“
Dinovaldo Gilioli
Escritor e poeta catarinense
